terça-feira, 24 de novembro de 2009

Menú Gabriel Alves


Depois de fecharmos a taberna num sábado à noite, chegamos a casa e às 3h da manhã estava a dar na RTM Memória um Sporting-Benfica. Mais que os jogadores, como Rui Costa a espalhar magia, Stefan Shwartz (que vimos a correr no paredão em Setembro) a dar pau e o Neno a falhar as bolas nos cruzamentos (será que homem tinha cataratas? porque nunca teve noção de perspectiva), o que nos chamou a atenção foram os comentários:
Quando de repente ouço o clássico "Lá vai Veloso, no seu estilo inconfundível... afinal é Vitor Paneira..." até me vieram lágrimas aos olhos. Se o Vasco Granja faz parte da nossa infância e dos traumas que ainda temos hoje, o Gabriel acompanhou-nos durante a nossa adolescência. Aquele campeonato nos Estados Unidos, os jogos do Benfica na Europa, os jogos da selecção sub 19 e sub 21 quando ganharam os campeonatos da Europa e Mundo...
O Gabriel Alves enalteceu um jogo de labregos a um desporto de jet set. O léxico que trouxe para os comentários deste desporto colocam a Paula Bobone, a Edite Estrela e qualquer acordo ortográfico no mesmo patamar que qualquer suburbano branco que tem a mania que é negro e fala crioulo.
Este menu é dedicado ao Gabriel Alves por tudo o que fez por nós e pelo futebol nacional. Obrigado Gabriel! E se alguém conhecer o Gabriel por favor diga-lhe para aparecer no restaurante. Para além da refeição, queremos dar-lhe um grande abraço.

O menu é então assim, influenciado pelas frases mais carismáticas e marcantes do Grande Mestre do comentário:

Trio Eléctrico - "uma táctica apoiada num Losango Eléctrico"
Pézinhos de Porco "à Fábio Coentrão"
Caldeirada à Fragateira - "a força da técnica é superior à técnica da força"
Bacalhau deitado em Búzios - "um dos melhores pratos do mundo e talvez da Europa"
Arroz de Pato - "com a vantagem de ter 2 pernas"
Maçã - "que não está bem, nem mal, muito antes pelo contrário"

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

o Livro

Fizemos um livro. Não é difícil. Toda a gente o faz. Mas nós não nos limitamos a fazer um livro. Fizemos o Livro. É já considerado por muitos (nós, as nossas avós, pais e alguns amigos) a bíblia da gastronomia. Até há especulações que o Ferran Adrià, chef do melhor restaurante do mundo, pediu para traduzir para poder copiar na integra as nossas receitas. O facto de sermos nós a lançar estes boatos não quer dizer que eles sejam falsos. Quer sim, dizer que estamos cheios de orgulho porque o Livro está mesmo bom. Tão bom que já estamos a preparar um terceiro (como no cinema as "sequels" são sempre piores que a primeira, passamos directamente ao terceiro Livro).
Razões para comprar o Livro:
- Gabar-se aos colegas - "tenho o Livro e tu não"
- Óptima base de copos
- Encadernação está catita e fica bem na prateleira
- Tem páginas vazias que dá para tirar notas
- Armar-se aos amigos que vão jantar a casa - fiz este jantar a pensar neste Livro
- Leitura leve e fácil - óptima companhia na casa de banho
- Andar com ele na rua como um acessório de moda - dar ar de intelectual
- Óptimo desbloqueador de conversa quando a meteorologia esgotar o paleio "acabei de comprar o Livro e já sei cozinhar"
- Poder dizer mal de algo - "o Livro é realmente magnifico, mas eu conseguia fazer melhor"
- Fotos com nudez parcial (só para aumentar as vendas)

O facto do Livro desvendar os nossos segredos culinários, ter textos divertidíssimos e um grafismo espectacular por si só basta, para que qualquer pessoa com um QI acima de 89, o queira possuir.

Já saiu uma crítica na Gastronomec, a revista da maior tiragem do Zimbabué que diz: "o Livro, quem não tem é parvo!" Um pouco agressivo para o nosso gosto, mas se passou à censura do Mugabe é porque não pode ser assim tão mau.

domingo, 8 de novembro de 2009

Menu de São Martinho e Barranco Longo

Muita gente fala do S. Martinho, mas será que o conhecem realmente. Como podem ler na nossa página (http://www.2780taberna.com/taberna/Cozinha_Experimental.html) os taberneiros historicamente foram ostracizados pela igreja católica. Como este texto será de apontamentos culturais inúteis, ficam agora a saber que a ostracização tem origem na Roma antiga, nos julgamentos populares, colocava-se o acusado em barricas para onde o povo, caso o julgasse culpado, atiraria as cascas das ostras.

Quisemos saber quem foi o Martinho, porque se tornou idolatrado pelos católicos e porque é considerado o santo patrono entre outros dos restauradores (donos de restaurantes), dos alcoólicos reformados e dos produtores de vinho. Na nossa investigação lemos o que escreve o conceituado etnólogo Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990): «O S. Martinho, (...) é hoje sobretudo a festa do vinho, a data em que se inaugura o vinho novo, se atestam as pipas, celebrada em muitas partes com procissões de bêbados de licenciosidade autorizada, parodiando cortejos religiosos em versão báquica, que entram nas adegas, bebem e brincam livremente e são a glorificação das figuras destacadas da bebedice local constituída em burlescas irmandades. O S. Martinho é também ocasião de matança de porco.

Se com o Jesus já ando a vacilar, depois de conhecer o S. Martinho até eu me torno católico.



Creme de castanhas de Gralhas
Xarém ou xerém com filetes de espada preto
Alheira de Caça, grelos e ovo
Touro bravo, estufado de frutas e legumes do Outono
Sobremesa: Castanhas assadas à 2780

quinta-feira, 5 de novembro de 2009